sexta-feira, 3 de junho de 2011

Arte e Educação para a Vida

Desde os primórdios da história da humanidade, Arte e Educação sempre estiveram presentes na vida das pessoas, na relação consigo, com o outro e com o mundo ao seu redor.

Percebo que, há milênios e na atualidade, diversas culturas em todo o mundo desenvolvem estilos artísticos que expressam seus desejos e formas de ler o mundo. Em algumas culturas, a Arte é tão presente que seus sujeitos nem a reconhecem como "Arte", mas como algo intrínseco à própria vida: é o caso de diversas culturas indígenas da Amazônia, que pintam seus corpos, constroem artefatos, criam objetos dotados de habilidades técnicas específicas e o fazem com objetivos sociais, mitológicos, religiosos e, portanto, culturais. Nesses casos o que chamamos "Arte" não está necessariamente associado a uma dada economia de mercado e juízo de gosto, mas se relaciona com a organização social e a noção de pessoa, identidade e cultura do povo.

Portanto, Arte e Vida são dimensões que coexistem numa relação de construção contínua do Ambiente de vivência dos grupos sociais, em que viceja uma série de aspectos políticos, religiosos, econômicos, educacionais, etc.

Arte é maneira subjetiva de ler o mundo, leitura esta que pode se configurar em diversas linguagens: música, teatro, danças, artes visuais. É imprescindível identificar essa variedade de linguagens artísticas no Ambiente de vivência, por toda parte e em suas diversas funções. Por isso, a escola tem papel fundamental de mediar conhecimentos a cerca dessas linguagens e construir saberes significativos à vida dos alunos, possibilitando que tenham acesso a informações outrora não percebidas e/ou inacessíveis.

Hoje em dia, nas escolas, a Arte tem ganhado grandes dimensões, em suas diversas linguagens. Quando se fala em "formar cidadões críticos de seu próprio contexto", penso que a Arte enquanto campo de conhecimento pode influenciar para a formação esses cidadãos, pois auxilia na leitura subjetiva do mundo e favorece a construção de valores imprescindíveis ao bem-estar social, como respeito às identidades, reconhecimento do outro, auto-estima, reconhecimento de formas e conteúdos históricos, etc.

Nessa valorização ao ensino de Arte nas escolas, muitas pessoas mencionam termos como "Arte-educação", "Educação pela Arte", etc. Vale ressaltar que são diversas as formas de pensar o ensino de Arte e sobre isso não me interessa o que é certo ou o que é errado. Interessa-me saber: Como a Arte, enquanto campo de conhecimento, pode auxiliar aos alunos na busca por saberes significativos à vida deles?

Nesse meu interesse reside constante pesquisa para cada aula, para cada assunto abordado e para cada turma de alunos que, por vezes não se interessam por nada disso e, por vezes, se interessam tanto que me fazem (re)criar a minha própria existência enquanto pessoa, enquanto professora e enquanto estudante desse campo de conhecimento.


(Profª. Giza Carla Bandeira)


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